sábado, 30 de abril de 2011

tenho escrito menos...



... e sentido mais.

Eu vi nossos olhares se encontrando. E não apenas se encontrando, também se confortando, se completando, se desejando e se protegendo. Só pela cumplicidade dos nossos olhos, que deixaram de ser dois e se enlaçaram quatro. Eu soube então que nós não nos sentimos sozinhos e perdidos. E mesmo depois de um dia cheio e chato, tem uma certeza de afeto. Uma espera no fim do dia. Essa espera. Não a espera de uma vida toda sem saber o que buscar pra ser feliz.

E é isso que nós temos pra vida toda, algo além da rotina e de gente inventada com seus narizes perfeitos e cabelos arrumados. Uma fonte segura de amor que não depende das obrigações, das falas decoradas, dos scripts prontos. O frio na barriga, a anorexia que o amor dá na gente.

Temos o dormir tarde, e o acordar atrasado pra começar tudo de novo, só pra começar o dia nas nuvens. Temos algo certo como o olhar de fogo, a risada por nada, e a lágrima que cai na cumplicidade dividida. Algo errado que nos faz bem só por escapar do caminho evidente de sempre. Só sair do igual pra ter algo diferente. E tornar esse diferente comum só porque é bom estar perto.

Nada é mais infinito que o que se sente e não se vê.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ain't no need to go outside

Vamos nos atrasar. Por causa da chuva, da preguiça, por causa da saudade. Tem um mundo todo de gente lá fora que pouco importa, e pouco se importa. Vamos nos atrasar por querer mais de nós dois.

Fica mais um pouco e me deixa fazer parte da sua vida. Quero o seu dia-a-dia na minha rotina e seu colo pra dormir. Quero nossos assuntos em pauta e nossa falta fazendo companhia. Eu quero mais que solidão a dois e inseguranças tristes para preencher o cotidiano. Quero mais que sorrisos inconvincentes e amizades convenientes. Eu quero menos. Menos pensamento, menos medo.

Vamos nos atrasar, deixar o mundo acontecer lá fora enquanto a gente discute bobeiras inexplicáveis. Esqueça a música alta, esqueça as pessoas e seus cumprimentos tediosos, deixa tudo pra lá. Tudo o que a gente precisa está aqui. Tem eu, tem você, tem uma vida inteira de nós dois. E isso é tudo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

um post pra você


Porque seus olhos são azuis e dá vontade de mergulhar.

Você fez eu me sentir alguém, exatamente um alguém que eu sou. Acho que isso pode ser um sinal. De fraqueza ou de destino, eu não sei. Existe mesmo essa coisa de destino? Porque os nossos se cruzaram e talvez isso tenha algum significado.

Pode ser a dúvida entre manter a solidão ou se arriscar. Acho que toda essa história tenha se desenvolvido nos segundos em que eu fechei os olhos e não precisei abrir pra saber que você estava lá.

Parecemos mútuos no desejo de viver pra sempre no agora só pela companhia maravilhosa. Talvez fosse a exata sintonia, do exato alinhamento, da exata fração de segundo que motivasse duas presenças tocadas dessa maneira. E se existir um próximo encontro, por mais breve que seja, será só pelo encanto do sorriso mais sincero do meu caminho.

O tempo é relativamente compensado por registrar pequenos momentos em grandes confirmações.

Vem me buscar, me leva pra longe daqui.


Música: Phoenix - Rome

http://www.youtube.com/watch?v=vI3Hplk9Za8&feature=related

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

algo que jamais se esclareceu

Se sua partida é mesmo inevitável, se seus sonhos são mesmo indispensáveis, se sua vida é mesmo impenetrável, então vá. Não permita que eu me apegue e faça planos, não me deixe acreditar no que não há de verdade. Vá logo antes de borrar minha maquiagem e ferir minha coragem, antes que eu acabe com meus instintos de sobrevivência como se não importassem mais meus sentimentos próprios. Não provoque meus medos, não destrua meu equilíbrio. Apenas vá. Não me deixe criar um relacionamento individual onde eu sou todos os personagens e nenhum ao mesmo tempo, enquanto você é a platéia que faz questão de não aplaudir minhas fragilidades teatrais.

Você que preenche minhas lacunas de medo deve ter um longo caminho de volta pro seu ser, enquanto eu sobrevivo de te esquecer daqui a pouco. Se minhas palavras não fazem sentido e confundem sua mente, nem peço lucidez. Eu sei que você gosta de estar entorpecido pra esquecer seus problemas ao invés de resolvê-los. Mas não ignore o que eu sou por não ter forças para me decifrar. Já que dividimos um pavor doentio da alegria, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido a dois.

Se sua partida é mesmo inevitável, se seus sonhos são mesmo indispensáveis, se sua vida é mesmo impenetrável, ao menos arrisque me carregar junto de você.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

se bastasse sentir...

Não me lembro como eu era antes de você.

E agora sou alguém que se apaixonou, e se entrega e morre um pouco todo dia, só pra saber que viveu pelo menos um pouco.

E agora tudo anda pela metade, as alegrias não passam de algumas horas em boa companhia, mas no escuro do quarto não há nada mais que um quarto no escuro.

E agora eu durmo sozinha e tenho um vazio no peito você não tem vontade de ocupar. Tenho um coração pesado que você não quer carregar. E estou cansada de esperar vidas se resolverem por uma promessa de futuro e ficar pra trás mais uma vez.

Só não me deixe morrer em você, porque em mim você vai continuar vivendo.

Quero de volta tudo o que um dia foi meu. Quero pra mim. Pra guardar. Pra ter. Pra ser.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

agora conta como hei de partir


Cansei. Desisto. Me rendo. Levanto a bandeirinha branca.

Não estou deixando o inimigo ganhar, nem estou perdendo. Estou deixando o campo de batalha. Estou saindo de fininho, a procura de um lugar ao sol.

Enfrentar às vezes é muito mais que levantar os punhos e lutar, às vezes é muito mais que bater, é ceder, é seguir, é calar, é vencer sem ferir, é evitar a luta vã, a insana discussão.

Desistir e perder são condutas diferentes. As vezes perder é ganhar, as vezes perder é perder. As vezes desistir é perder, as vezes desistir é dar uma nova chance ao destino.

De vez em quando, quando fico sozinha pensando, eu sinto falta da vida, eu vejo o futuro, o passado, eu sinto a dor como uma ferida aberta no joelho, que dói mais a cada passo.

Meus sonhos de criança são apenas sonhos, meus pesadelos são memórias e medos, e ainda tenho medo. Quando criança, aprendi a rezar pra me livrar dos pesadelos, por um tempo funcionou, mas agora, a fé que me leva nem sempre é maior que o medo que me arrasta, eu tento, todo o tempo, eu tento não esquecer, e tento acreditar que apenas acreditar é o suficiente.


Música: Chico Buarque - Eu te amo


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

I miss you

Sentir falta é diferente de sentir saudades. Sentir saudades é grandioso. Dor enorme que rasga por dentro dias seguidos, horas intermináveis, tempo infinito.

Sentir falta não. Sentir falta é pontual. Sentir falta é dor fina, dor de beliscão com unha, dor de mordida de cachorro. Sentir falta é mais específico. Sente-se falta do abraço ao dormir, das mãos frias, sente-se falta do jeito boboca que ele tinha de andar. Sentir falta é mais egoísta, quase que material. Sentir falta do café dele, da bagunça dele, o chinelo dele. Sentir falta da camiseta velha dele que você podia usar. Sentir falta é pequeno, mas não menos doloroso.

A saudade não te deixa respirar. Não te permite trabalhar, te faz faltar o ar. Saudade é plural. Saudades é dos dois. Saudades é de você mesma, com os olhos brilhando. Saudades do frio na barriga, saudades do começo, saudade daquela cervejada idiota, do melhor dia dos namorados. Por isso, saudade pode ser inventada e falta não.

Falta é daquilo que não está ali, e que deveria estar. É a dor do banco do carro vazio, de assistir filme sozinha. A falta está na rotina, nas pequenas coisas concretas do dia a dia. Ela é pontual, mas pode aparecer todos os dias.

Saudades e sentir falta acontecem apenas quando o objeto da saudade ou da falta, parece estar ali, na beirada da sua vida. Ambas te fazem esticar o braço com força, com toda a sua força, o máximo que pode, para alcançar aquilo que já não está mais ali, que é sombra.

Talvez essas duas dores só sumam de fato quando ele sair da beirada. Quando o desenho do rosto dele não for mais tão nítido na minha memória, quando o som da voz dele não for mais tão claro em meus ouvidos. A saudade e a falta, de formas diferentes, com dores distintas, clamam por aquilo que mais se teme. A única solução possível é a mais temida, e serve para as duas: o esquecimento.