sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
numa cidade distante ...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
ano novo
Quando não quero mais ser eu, faço uma tatuagem. Mudo o
cabelo, troco de emprego, de amigos, mudo tudo. No fim acabo sobrando de frente
pro espelho e sou eu de novo, um pouco mais colorida, um pouco mais solitária,
bem menos humana e sociável. Eu me volto pras palavras e venero seus encantos,
como se por me descreverem pudessem me bastar. Palavra não faz carinho, palavra não dá colo. É de abraço que eu preciso quando não há mais letra,
tatuagem, tinta, papel, caneta, poesia. Quando não tem mais rima, é de corpo e
conforto que eu preciso.Quero todas as fantasias de dezembro, quero a pureza de acreditar numa vida nova. A leveza de esperar um mundo novo no segundo em que 2012 se torna 2013. Tudo novo, tudo limpo, tudo pronto pra ser diferente. Ar fresco, um alívio ou certa angústia. É tempo de ser mais eu, é tempo de me esquecer, de me perder. É tempo de ter mais tempo.
Se um dia desses eu encontrar o que eu procuro talvez eu não precise de palavras. E então eu serei eu, de frente pro espelho, sem medo de ser quem me olha de volta.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
o que você não vai saber
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
sem porque nem pra que
domingo, 29 de julho de 2012
23:00
terça-feira, 29 de maio de 2012
o que falta
domingo, 1 de abril de 2012
solidão
Ocupo todos os cantos da cama para deixá-lo fora do meu mundo. É o meu modo de esconder que na verdade eu só queria perder o cobertor para pés maiores que os meus. Dormir sozinha dá aquelas sensação de que o frio existe mesmo quando o termômetro marca 30 graus, de que os travesseiros são insuficientes e o espaço é infinito. Por dentro e por fora.
Ocupo todos os segundos do meu dia pra não deixá-los tomarem posse da solidão que cultivo como companheira. Sou dela, não tem jeito. Sou minha e não sei me dividir. Essa é só a maneira que eu aprendi a ser, porque pertencer aos outros faz doer.
Eu aceitei você e sua carga, sua falta; e nada disso foi suficiente porque você não pode ou não soube me aceitar. Você não pode carregar o que tem aqui dentro, esse peso que eu preciso dividir pra não ficar sobrecarregada por existir. Agora não sei mais. Não consigo aceitar nada pela metade e você não se permite ir além.
